Para ilustrar o nosso título, escolhi a frase popular que diz: "Por fora bela viola; por dentro pão bolorento...", pois as imagens falam, mas, não dizem nada para quem as vê. Quase tudo está sujeito à superficialidade. Se perguntarmos às pessoas o que elas acham, por exemplo, da tela “O Filho Pródigo” de Rembrandt; do “Soneto de Fidelidade” de Vinicius de Moraes ou até mesmo da obra “Pietá” de Michelangelo, a resposta imediata será – Muito bonito...! Faça você mesmo a experiência. Porém, se dissermos que é importante irmos além dos adjetivos, cairemos no relativismo, com a seguinte frase: “Ora, gosto não se discute”.
Talvez eu esteja querendo muito. E alguém poderia dizer: Ora, isto é questionamento para ser feito aos intelectuais ou então aos professores de arte. Entretanto, se fizermos esta mesma pergunta para uma criança, provavelmente, a resposta será mais do que um adjetivo e ela poderá nos surpreender, pois, ainda não adoeceu, como diz Rubem Alves: “Ser adulto é estar doente...”. Eu vou além, diria que ser um adulto contemporâneo, na maioria das vezes, é não estar vivo..!
Infelizmente, nos dias de hoje, só a aparência é o essencial. Olhemos o que está acontecendo com a maioria jovens nos vestibulares ou na escolha de uma profissão. Eles não estão preocupados com o que vão SER, estão, aparentemente, querendo usar roupas brancas, paletó e gravata, clegyrman ou batina, ou, na maioria das vezes, o seu rosto bonito e o corpo malhado, estampando alguma revista, jornal ou o Big Brother. HEDONISMO PURO, diria “bela viola...”
Identificarmos estes tipos de criaturas, não é difícil, pois eles estão “na moda”. Eles representam papéis e usam máscaras, nos bailes e teatros da vida real. São inimigos da convivência, do belo verdadeiro que envolve o ser interior, do afeto sincero e da subjetividade. Quando nos aproximamos de criaturas assim, percebemos uma total falta de conteúdo, valores e virtudes, diria “...pão bolorento.” E fica no ar... a clássica pergunta : para onde caminha a humanidade? Para mim, esta é uma nova geração, as dos desumanizados.
“Só se ama e se valoriza, aquilo que se conhece...” e, do que participa. Fico pensando nos jovens-protagonistas dos anos 60 e 70, que tinha atitude e entusiasmo, e, para eles a virtude da tolerância não era pretexto para a omissão. Nas lutas e guerrilhas, muitos deram sua própria vida, por ideais de liberdade, justiça e solidariedade. Muitas coisas que nós brasileiros contemporânea desfrutamos, hoje, foram conquistas destes jovens, que fizeram sua história. O que fazemos com o legado desta geração? E o que estamos fazendo, de nosso momento histórico? A mudança, só depende de nós... Pensemos nisto!
Francisco Dias Filho
Instituto Ananduá
Francisco Dias Filho
Instituto Ananduá
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